Sobre as redes sociais atualmente

24/07/2025

Minha primeira rede social foi o Facebook. Minha mãe fez uma conta para mim como presente de aniversário de 6 anos. Pode parecer estranho, mas foi por uma boa causa. A gente tinha acabado de mudar de cidade. Então foi uma maneira de eu manter contato com meus amigos, mesmo longe.

Mesmo bastante novo, acabei não viciando na plataforma. Eu usava somente para fins comunicativos. Acredito que há alguns pontos que podem explicar isso: as redes sociais tinham menos estímulos visuais, um algoritmo menos persuasivo, e eu ainda não entendia o conceito de “web-pages”, por exemplo.

Anos depois (2016), a implementação dos stories no Instagram fez com que gerasse uma nova leva de usuários na plataforma. E pelo efeito manada, acabei criando uma conta também. Diferente de antigamente, comecei a acompanhar diversas páginas de entretenimento. Até que percebi algo: muito do conteúdo que era publicado lá, era um print de um post no Twitter.

Essa reciclagem de conteúdo é bastante recorrente até hoje. Tão recorrente que pode ser até considerado um formato de postagem. E provavelmente, isso deve incentivar usuários que ainda não tem o X/Twitter criar uma conta lá. Afinal, se o usuário gostou do print de um tweet, por quê não vê mais do que a plataforma pode oferecer?

Quando criei uma conta lá, acabei não gostando logo de início. Por ser uma rede baseada em texto, deve causar estranhamento logo de cara para quem veio do Instagram - uma rede baseada em imagens e vídeos.

A tendência é que você se habitue com o novo espaço. Sabendo mexer na plataforma, fica mais fácil a interação. E quanto mais interação, mais informação para o algoritmo moldar sua timeline para que você fique mais tempo lá.

O TikTok - por exemplo, tem uma curva de aprendizado muito baixa em relação ao X, e até ao Instagram. Por conta disso, viciar na plataforma de vídeos curtos é bem mais fácil. Já que só basta você ficar deslizando o dedo, como se estivesse procurando algo (só que você não está).

E na minha opinião, mesmo que o formato do X possua uma curva de aprendizado maior, é mais fácil fazer um tweet do que fazer um vídeo para o Tiktok. Só que, o formato e a curva de aprendizado não vão definir a absorção daquele conteúdo. Já que isso depende de como a mente do usuário funciona.


A coleta de dados cada vez mais abusivas em prol de moldar o algoritmo dos usuários tem desmotivado os mesmos de buscarem por coisas diferentes. Fazendo com que ao invés de você querer buscar algo por vontade própria, você busca algo pois o algoritmo lhe mostrou.

Entrar em uma rede social antes era como entrar em um bar e interagir com as pessoas. E por necessidade, ir ao garçom para pedir alguma coisa. Atualmente, ao entrar no bar, o usuário vai direto ao garçom, com a expectativa que ele já saiba o que você quer - e ele sabe, e às vezes, interagir com as pessoas ao redor.

Acredito que estar nas principais redes sociais atualmente deve ser uma questão de reflexão. Afinal, pode parecer que você não está pagando para usar aquilo, mas ai entra o dilema:

Quando o produto é gratuito, você é o produto.

Situações onde pode valer a pena você estar nessas plataformas:

  • Você está prestes a abrir - ou já tem - seu negócio e precisa de um lugar para divulgar e se posicionar no ambiente digital;
  • Você está distante de pessoas que você ama, e ainda quer manter uma conexão com elas;
  • Você tem um hobbie e gostaria de divulgá-lo para outras pessoas do mesmo interesse, sem um propósito inicial de monetizar isso (caso há intenções financeiras, isso se enquadra na situação 1);

Agora, situação onde não deve valer a pena estar nessas redes sociais:

  • Criar uma conta onde seu objetivo é ofender / assediar alguém ou um grupo específico com ideais contrários ao seu;
  • Utilizar as redes sociais para enganar pessoas e proliferar informações / notícias sem embasamento ou fonte de origem;
  • Usar para passar horas consumindo conteúdos sem propósito e fúteis, sem a interação direta com pessoas

Isso pode ser meio óbvio de se dizer, mas o que mais tem na internet são: Posts ofensivos, comentários maldosos e conteúdos fúteis e que podem causar cansaço cognitivo e ansiedade aos usuários.

E não estou dizendo que existe um lugar onde isso não acontece. Isso acontece em todos ambientes digitais onde é possível interação entre usuários. Só que acontece mais nas redes sociais maiores, pois tem mais gente lá. E você sendo o tipo de usuário baixo astral, além de está tendo seus dados e informações coletados, você não está fazendo nada para compensar isso a não ser agregar de maneira negativa a vida de outros usuários, que podem está fazendo um proveito melhor desse ambiente com diversos prós e contras.

OBS: Não estou defendendo as redes sociais de terem esse sistema abusivo de coleta de dados. Apenas ressaltando que esse fator é algo importante a se considerar. Já que dificilmente isso irá deixar de acontecer.


Fato é: As alternativas de redes sociais seguras costumam ter uma barreira de entrada maior. Confesso que, até hoje, eu não entendo os sistemas descentralizados do Mastodon e do Matrix, por exemplo. Isso cria um funil muito grande na base de usuários.

Se essa for a intenção deles, tá tudo bem. Mas por exemplo, a intuitividade do Bluesky faz com que ele se torne uma alternativa menos dolorosa ao X.

O que prova isso é a queda do X aqui no Brasil um tempo atrás. O Bluesky se tornou “oficialmente” a alternativa principal do Twitter para os brasileiros, mesmo com a existência do Threads - a alternativa da Meta.


Dito tudo isso, desejo que a nossa relação - não só com as redes sociais, mas com a internet em si -, seja menos danosa, mais divertida e acima de tudo, comunicativa. Como foi para mim quando eu era menor.

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